quinta-feira, 5 de setembro de 2013

PARA O MEU IRMÃO (NO DIA DO IRMÃO)

Reza a lenda que eu queria muito um irmão ou uma irmã, parece que não gostava de ser filha única...

Quando minha mãe estava grávida e naquela época não era possível saber o sexo do bebê, eu, apesar de ter certeza de que seria uma menina e que teria uma irmã, estava encantada com a novidade da escola em que estudava: os colegas gêmeos univitelinos de sala, chegados diretamente da Bahia, então, queria porque queria que o bebê tivesse o nome de Justino ou de Faustino, como dos meus amigos gêmeos!

E me lembro como se fosse hoje o dia em que ele nasceu, de manhã fui com minha mãe ao consultório da obstetra, fomos levadas por um querido falecido tio. Minha mãe estava tão barriguda que já não dirigia mais.

Ah, não sei com qual frequência eu acompanhava minha mãe às consultas com a obstetra, mas posso me lembrar de ouvir o coraçãozinho dele batendo, achava aquilo incrível! Realmente deveria ser para uma criança de cinco anos...

Voltando para o dia em que ele nasceu, minha mãe saiu da consulta e disse para mim e para nosso tio que o bebê iria nascer naquele dia, depois disso só me lembro, no entardecer, na casa da minha avó materna, minha tia, irmã da minha mãe, cheia de dedos tentando me dizer que o bebê não era a minha tão esperada irmã: “ Claudinha, nasceu...” Eu: “Eu sei, nasceu meu irmão, né?” E assim, minha tia respirou aliviada: “Sim, nasceu seu irmão!”

Era um bebê enorme, foi um menino grande, um moço lindo e é um homem divertido, digno, guerreiro, cheio de valores e opiniões próprias. Com nossa diferença de idade, diferença de sexo, de personalidade, de maneira de encarar a vida, portanto, de viver, não fomos o que se pode chamar de irmãos companheiros, mas temos ótimas histórias para contar!

Aprendi a dirigir aos dezoito anos na auto-escola, por isso, sabia apenas passar até a segunda marcha do carro. Depois de tirar a carteira de habilitação, ganhei um carro e as ruas da cidade, mas tinha um detalhe: eu morria de medo de passar a terceira marcha do carro, achava que corria demais (coitado que quem dirigia atrás de mim!).

Tudo foi resolvido pelo meu irmão de treze anos que, é claro, já sabia dirigir. Ele andava comigo no carro e do banco do passageiro anunciava a hora que eu tinha que pisar na embreagem para ele mesmo passar a terceira marcha. E, assim, dirigimos juntos por muito tempo!!!

Já casada e antes de pensar em engravidar, ele me deu de presente uma camisetinha de bebê com os dizeres: “Xodó do Padrinho”. Aquilo era mais que um presente, era uma dica, uma sugestão ou um pedido. Pedido feito, pedido atendido, durante a minha gravidez o convidamos para ser padrinho do nosso bebê.

Não poderíamos ter feito escolha melhor, meu irmão é, sem dúvida, o melhor padrinho do mundo! A ligação que ele e meu filho tem é impressionante, os dois se adoram, sem contar que meu filho tem o mesmo temperamento dele. Meu marido costuma dizer para a minha mãe que cria o filho do meu irmão, tamanha a semelhança entre eles.

Meu irmão, eu morreria por você, te amo demais e amo ver você e meu filho juntos, nada nesta vida pode ser mais gostoso do que ter família e do que estar com a família.

FOCO IS THE NEW BLACK!

Nesta semana um assunto tem me perseguido.

Amigas têm me abordado com diferentes histórias de mulheres focadas, parece que esse tema está despertando a imaginação, a inveja, a ira e a frustração da mulheres não focadas. Sim, você sabe sobre o que se trata, talvez não com essa denominação.

Mulher focada é aquela que tem um objetivo e nada faz com que ela desvie sua atenção e desperdice energia com outra coisa, senão seu alvo.

E qual é o alvo dessa mulher? Simples, um homem com grande poder financeiro, com carreira profissional de destaque. Detalhe: não importa o estado civil, a idade ou a aparência do cara, o que importa é a conta bancária e a generosidade dele. Porque para a mulher focada, homem avarento não é alvo.

Essa mulher, que pode ser de qualquer idade, estado civil, com ou sem filhos, não precisa ser a deusa da beleza, nem ter um corpo escultural, ela tem uma determinação nata, nasceu predestinada a não se contentar com pouco, é sedutora e tem predicados que somente seus alvos conhecem.

Mulheres focadas são mal vistas pelas outras mulheres, porque além delas conseguirem os que as outras dificilmente conseguirão, elas podem destruir lares, se apossar de apartamentos, casas de praia, de campo, fazendas, daquela viagem que estava programada para a família toda e desfrutar de tudo que foi cuidadosamente programado, decorado e conquistado pela “primeira mulher”, como se ela nunca tivesse existido. A mulher focada é o verdadeiro hedonismo em forma de mulher...

E quem nunca ouviu histórias de “marias-chuteiras”, seus filhos e pensões “blockbusters” e de casamentos de celebridades que quando se separam rende milhões para a mulher? Mas as histórias que eu gosto mesmo são das pessoas “normais”, das mulheres focadas que a gente conhece, daquela garota que já entrou na empresa com a intenção de se casar com um diretor, não importa qual, e casou! E outras histórias inomináveis que tenho ouvido esta semana... Rs

Para falar a verdade, sempre a achei a mocinha das estórias românticas muito chata, gosto mesmo é da vilã, daquela que faz e fala tudo aquilo que a gente sente vontade e não pode falar, nem fazer.

Por ser totalmente não focada e talvez pelo fato do meu marido estar longe ser ser um alvo, a-do-ro as histórias das mulheres focadas, que se deram bem, que estão numa boa.

Tá bom, eu sei que para tudo tem um preço ou que mais cedo ou mais tarde a conta chega... Não imagino o preço que as mulheres focadas paguem para e por atingirem seus objetivos, mas vale o meu imaginário, vale minha fantasia, vale cada centavo do pacto antenupcial e da viagem a Paris para provar o vestido do casamento!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bem-vindos 42!!!

"Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa"

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FELIZ ANO NOVO!

Na próxima sexta-feira será meu aniversário, um novo ano se iniciará para mim, então, estou no período em que os astrólogos chamam de inferno astral.

Passo onze meses no ano sem acreditar no tal inferno astral e durante trinta dias acredito piamente na existência dele. Já está acabando meu inferno astral, mas durante os últimos vinte e seis dias refleti sobre as resoluções para o ano que começará na sexta-feira.

Cansei de algumas coisas, aliás, já estava cansada, decidi mudar meu comportamento com relação a essas coisas que me cansam, me dão preguiça e me perturbam.

Costumo relevar tudo ou quase tudo que diz respeito à amizade, mas cansei de amigos que só têm tempo para assuntos deles ou que são de seu interesse. Resolução: também estarei muito ocupada para esses amigos.

Que coisa chata ouvir me dizerem que por meu jeito ser assim, que por eu falar isso, que por eu não me comportar daquela maneira, fulano ou beltrano estão descontentes comigo. Autenticidade, personalidade e bom humor incomoda demais algumas pessoas e têm me causado muito desgaste... Resolução: para essas pessoas, deixarei aflorar meu lado atriz e serei como um robô, do jeitinho que elas gostam.

Ai que preguiça de gente, geralmente mulher, que antes de me cumprimentar, me mede dos pés à cabeça. Confesso que perco a vontade de falar com a criatura que faz isso. Resolução: retribuir a secada que eu levei.

Sem paciência nenhuma para gente que vive reclamando que tudo é caro ou que é mão-de-vaca. E pior, que fica regulando e reparando no que eu compro, como eu me visto, qual o sapato que estou usando. Quanta chatice, quanto recalque... Resolução: evitar esse tipo de pessoa. Pão-durismo faz mal à saúde!!!

Preguiça total para amigos e/ou parentes que só me procuram para pedir “um favorzinho”. Oi, pode me ligar para perguntar se minha família ou eu estamos bem, nos convidar para um café, a gente gosta!. Gentileza é uma estrada de duas mãos, portanto, a resolução é: também procurarei esses amigos e/ou parentes somente quando precisar de alguma coisa e apenas farei o favor que me pedirem se estiver com vontade.

Cansei de gente que só fala de si mesma, baixo astral, que vive correndo, de blogs/instagram de ginástica e de dieta, de blogueiras de moda e de camisetas com estampa de cachorro com óculos.

Decidi que quero perto de mim mais pessoas generosas, felizes, bem resolvidas, que gostem de dar risada de coisas bobas, que gostem de jogar conversa fora e que tenham tempo para viver.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

VESTIDA PARA MATAR (DE RIR)*

Às vezes eu gostaria de ser um mosquitinho para ver como certas mulheres escolhem suas roupas para trabalharem. Deve ser um processo ou muito lento ou muito rápido, não tem meio termo.

Quando olho para algumas mulheres logo me vem à cabeça uma briga com o armário e quem ganhou foi o armário, nada combinando com nada. E olha que vivemos em um mundo democrático em termos de moda.

Veja bem, não estou dizendo que não gosto do estilo da cicrana ou da fulana, mesmo porque quero comentar sobre aquelas pessoas que não têm estilo. Respeito demais o estilo das pessoas, seja ele qual for.

Não deveria ser tão difícil se vestir: preto, cinza, azul marinho, branco e bege, via de regra, combinam com todas as cores. Sem falar no tanto de revistas, sites, blogs e programas de moda com os tais “certos e errados”. Mas não, tem gente que gosta de inovar e está aí o grande problema...

Não é que eu não goste de roupa colorida, nada disso. Acho que usar uma peça colorida ou estampada pode ser bem bacana, mas conheço pessoas que são verdadeiras odes ao arco-íris!

E os sapatos? Ah, quem gosta de tanta cor e estampa misturada, não deixa de lado os sapatos de cores e texturas diferentes, que vêm acompanhados de uma gama de acessórios que, além de brigar entre si, são de procedência duvidosa (duvido que alguém tenha tido coragem de comprá-los!).

Nessa geléia geral, por que não sensualizar um pouquinho? Quem se importa tanto assim com as regras de vestimenta institucional e com o veto aos decotes, ombros ou sutiã à mostra, cintura baixa e mini saia? Afinal, o que é bonito é para ser mostrado e se passa mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar, vai que a cara metade está ali, logo ao lado...

Será que diante de tanta coisa bonita para comprar a pessoa fica confusa? Será que a pessoa é uma espécie de Pollyanna que acha tudo lindo? Ou será falta de espelho em casa?

Uma coisa é certa, esse tipo de mulher, no trabalho, cumpre sua função social, é uma verdadeira catalisadora. Funciona assim: todas as “outras” mulheres se juntam para comentar “dela”, deixando de fazer pequenos comentários entre si, umas das outras.

Todo dia é uma grande alegria e novidade, nunca se sabe qual a combinação imperfeita que “ela” fará, que sapato ou bolsa bizarra usará e as “outras” num misto de diversão sádica e inconformismo, esperam pelo modelito de amanhã!


*Nota: algumas pessoas leram esse texto antes de ser publicado e os comentários masculinos foram: “Meio patrulha isso, hein?” e “Parece bullying.” Então, só para deixar registrado, não é nem patrulha, nem bullying. Qual mulher nunca reparou em outra que está vestida de modo bizarro? Pois bem, há mais de quatorze anos trabalhando em financeira, banco de atacado e de varejo, se não vi tudo, foi quase tudo em matéria de criatividade em looks para o trabalho.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Ter criança em casa faz com que eu me lembre da minha infância com frequência. Não me lembro de quase nada da minha primeira infância, mas tenho fortes e marcantes lembranças a partir dos meus sete ou oito anos de idade.

Era tudo tão diferente... Nem melhor, nem pior, diferente! Pensando melhor, quase tudo. Como a maior parte das crianças de hoje, eu também tinha um dia atribulado com atividades extracurriculares (ballet, natação, inglês), estudava em uma escola que exigia bastante dos alunos e adorava brincar.

Taí a diferença: brincar. As brincadeiras eram muito diferentes, começava que eu tinha meus “amigos da rua”. Sim, eu brincava na rua. Todas as outras crianças da minha rua brincavam na rua...

Lembrando que no final da década de 70 e no começo dos anos 80 o número de carros, de pessoas e os índices de violência eram infinitamente menores dos de hoje em dia.

Nós, as meninas, tínhamos as brincadeiras típicas de meninas com bonecas, que incluíam seus batizados e festas de aniversário com direito a madrinhas, bolos e docinhos, mas também brincávamos com os meninos.

E era com os meninos que a brincadeira ia para a rua, patinávamos, andávamos de bicicleta, jogávamos taco, futebol e vôlei com direito a rede montada no meio de uma rua perpendicular a nossa e sem saída, que chamávamos de “vilinha”.

Nossa rua era de nosso domínio, conhecíamos todos os moradores dos prédios e das casas e à medida que íamos crescendo, íamos ampliando nossos domínios. Até que alguns de nós, inclusive eu, se misturaram com os outros da rua de trás e, dessa maneira, passamos a ter mais amigos e conhecíamos o amigo do amigo, a prima da amiga, a irmã do amigo...

Inevitavelmente, começaram os namoros e a roda do eu gosto dele, mas ele gosta dela e ela gosta daquele outro... Uma amiga deixava de falar com a outra por conta de algum garoto, por ciúme de uma nova amiga da escola ou porque não foi convidada para uma festa. Os meninos não gostavam quando garotos desconhecidos vinham na nossa rua procurando alguma das meninas, afinal de contas, aquela rua e tudo que estava contido nela, era deles!

E assim foi a minha infância e minha adolescência, na rua! E nossos pais, das janelas nos vigiavam, nos controlavam e na falta de telefone celular, muitas vezes nos chamavam para jantar ou impiedosamente anunciavam que “está na hora de subir!!!”, o que a gente odiava ouvir.

Com o passar do tempo, cada um de nós tomou um rumo, não tenho contato com quase mais ninguém, mas guardo no coração meus “amigos da rua” e “minha rua”, onde vivi por anos e fui muito feliz.


Pensando melhor... a diferença entre a minha infância e a do meu filho não é o tipo de brincadeira, é a liberdade que eu tive quando criança, andando livremente pela minha rua e arredores, coisa que não teria coragem de deixa-lo fazer, mesmo se ele fosse maior (ele tem seis anos), nem se a rua que eu moro hoje fosse minha.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

GERAÇÃO Y

Adoro música. Para cada situação do meu dia lembro de uma música que se encaixa com aquela pessoa ou com o que está acontecendo, sou uma trilha sonora ambulante!

Mas, ultimamente, cantarolar minhas músicas tem denunciado minha idade, ainda mais porque estou cercada de representantes da Geração Y, que, por muitas vezes, me lançam um olhar de ponto de interrogação do tipo: “De onde saiu essa música?”

Saiu dos anos 70, dos anos 80 ou dos anos 90, a década em que a maioria de vocês nasceu... Foi na década de 90 que me formei e eles estavam nascendo e agora estão aqui ao meu lado, estranhando minhas músicas e me ensinando coisas.

Quando chega um “Geração Y” novo no trabalho vou logo abaixando a bola da pretensão dele e dizendo que hoje em dia tudo é molezinha, “imagina no meu tempo que não existia o Google!!!” E não existia mesmo...

A verdade é que eu adoro estar entre os “Geração Y”, sentir o frescor da juventude, me atualizar sobre assuntos que só eles sabem, aprender as gírias do momento, saber que a vida ainda se descortinará para eles, ouvir as histórias, as preocupações que geralmente são a faculdade, os romances, as viagens, a grana curta, a balada, a efetivação no trabalho.

Mal sabem eles o que vem pela frente e não quero ser eu a portadora das novidades da vida adulta. A independência e a liberdade trazem consigo os percursores das rugas e dos cabelos brancos: as contas fixas, o financiamento da casa ou do carro, as noites preocupadas e mal dormidas, o filho com febre, os problemas de relacionamentos (familiares, amorosos e com amigos), o chefe, os problemas com a empregada e com a babá e muitas vezes a doença de um ente querido.

Então, por alguns minutos, finjo não ser adulta e me junto aos meus “Geração Y”, dou risada com eles, ensino minhas músicas, trocamos informações sobre memes e virais da internet, comentamos sobre reality shows e damos mais risadas.

Para não perder o costume e fazer jus a minha idade e minha condição de mãe, dou uma bronca, um conselho, pergunto se trouxeram agasalho e guarda-chuva ou ofereço um biscoito.

Também tenho o costume de tratá-los bem, porque vai que um dia algum deles se torne meu chefe, terá boas lembranças de mim!!! Sempre digo isso para eles.

Agradeço aos meus meninos da “Geração Y,” meus queridos Augusto, Caio, Luiza, Marcella, Rafaela, Regis, Rodrigão, Thais e Yana, por fazerem meus dias mais leves e por me manterem sempre atualizada. Adoro vocês!!!

LARANJA PODRE

Pelo que me lembro, fui uma criança e uma adolescente regular, do tipo que não deu muito trabalho para os pais. Tinha meus amigos, minhas atividades, meus programas, não era muito fã dos estudos, mas estava quase sempre ali na média, na média de tudo, em termos gerais era bem normal.

Algumas características me acompanham desde a infância, sou sarrista e debochada, apelidava um colega por algum traço físico marcante (hoje poderia ser considerado bullying!!!), converso com todo mundo, no colégio, por exemplo, tinha amizade com os descolados, com os nerds, com os esportistas, sem ser nada disso, nem descolada, nem nerd, nem esportista...

Já no final da adolescência, um traço marcante da minha personalidade veio à tona, sou questionadora e como diria meu pai “bocuda”, falo além do que deveria, mas não além das minhas convicções. Sei que isso já me prejudicou bastante e, infelizmente, tenho que me controlar.

Esse mix de ingredientes: deboche, papo fácil, indagadora e “bocuda”, mais uma pitada de muita opinião própria, pode ser mal visto.

Tanto que certa vez fui chamada de “laranja podre” e, para meu próprio espanto, não me ofendi, ao contrário, achei divertidíssimo ser chamada de “laranja podre”. E eu sabia exatamente o porquê estava sendo chamada assim.

Era porque enquanto todas as laranjas faziam apenas suco de laranja, eu fazia suco, geléia e compota de laranja. Daí o que fazer com a geléia e com a compota? Como tratar uma laranja que se comporta de maneira diferente? E se as outras laranjas resolverem diversificar também?

Talvez, por medo ou por insegurança, seja mais fácil e comum rejeitar ou rotular negativamente o que não se conhece.

Então, ser laranja podre, para mim, passou a ser um elogio. Não significava aquela que contaminava a caixa com seus fungos, mas aquela que se destacava na caixa por ser diferente.

No meio de tanta notícia de corrupção, violência e de um mundo caótico, optei por continuar apelidando as pessoas, falando com todo mundo, indagando tudo aquilo que desconheço ou que não concordo e dando minha opinião, não importa se será ouvida ou implementada, mas não me calo porque alguém acha que devo me comportar assim ou assado.

Adoro ser uma laranja podre!!!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O DRAMA DA ESCOLHA

Sempre que tenho que fazer uma escolha me lembro de um amigo dizendo: “A vida é o drama da escolha.”

Até hoje não sei se essa frase era uma citação de algum filósofo, escritor ou pensador, ou se foi ele mesmo quem a criou. O que importa é que concordo cem por cento.

Não que eu seja dramática, ao contrário, odeio drama (gosto só no cinema!), mas como é difícil fazer certas escolhas, pesar prós e contras, ouvir sugestões contrárias ao que gostaríamos que nos dissessem.

Depois que me tornei mãe, as escolhas mais difíceis para mim são aquelas relacionadas ao meu filho. Ah, como gostaria de passar mais tempo ao seu lado, de ter presenciado seus primeiros passos, de ter embalado suas sonecas vespertinas, de ter acompanhado aquela febre chata abaixar...

Mas escolhi não para de trabalhar, escolhi dar para ele um futuro mais promissor, escolhi ser uma mãe com mais assunto e, a partir dessas escolhas, descobri que eu era filha da culpa.

Passei algum tempo carregando a culpa do mundo nas minhas costas. Culpa por deixar meu filho em casa com outra mulher (a babá!), culpa por não saber se estava sendo boa mãe o suficiente, culpa por não estar sendo tão boa quanto minha havia sido (ela foi dona de casa e se dedicou totalmente a mim e ao meu irmão, nessa ordem) e, pasmem, culpa por gostar de trabalhar fora de casa, acho que esse lance de home working não funciona para mim.

Como fazer uma escolha e não me sentir culpada por ela? Essa era a pergunta do milhão. Nada aliviava minha culpa, nem a terapia e nem conversar com outras mães na mesma situação.

E a culpa é oportunista, cria um círculo vicioso. E eu, de tanto girar em volta da culpa, me sentia cansada e desanimada.

Foi, há mais de quatro anos, quando passei a ter fortes e insuportáveis enxaquecas e procurei um neurologista, cuja especialidade é o tratamento de pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), aquela doença degenerativa que acomete o físico Stephen Hawking.

Minha primeira consulta levou horas, mais parecia uma sessão de terapia, então, o médico me disse: “Claudinha (é assim que ele me chama até hoje), a vida é muito linda e curta para tanta culpa. Imagina quanta coisa boa você tem para viver com seu filho, trabalhando ou não, só pelo fato de você poder controlar os movimentos dos seus membros.”

Estava ai a resposta da pergunta do milhão!!! Por que me preocupar tanto com as escolhas? Por que tanta cobrança? Só para a culpa me sabotar e não me deixar aproveitar os melhores momentos da vida enquanto posso “controlar os movimentos dos seus membros”!!!

Ah, a culpa não me abandonou por completo, às vezes ela volta para me visitar...

DESCOBRINDO ESTAR CHATA

Alguns assuntos nos chamam mais atenção que outros, mas tem coisa que a gente gosta de verdade, que faz a gente parar, virar a cabeça para olhar e esse olhar é, por vezes, mais crítico, apurado ou apaixonado...

Não posso mais dizer que sou apaixonada pelo Direito, como toda paixão com o passar do tempo foi se transformando... Hoje, gosto da minha profissão e, por mais que tente (e olha que já tentei bastante!), não consigo me ver trabalhando em outra área.

Mas paixão, ah paixão, como é bom ter uma paixão. Sou apaixonada pelos assuntos do complexo universo feminino (apesar de achar a maior parte das mulheres chata) começando pelas futilidades – amo futilidade – roupas, sapatos, acessórios, maquiagem, cosméticos, jóias... Até as questões mais profundas da alma da mulher.

Daí, um belo dia, sem dourar a pílula, sem me avisar que o gato tinha subido no telhado, meu marido me disse segurando o notebook: “Você está muito chata! Tem sempre os mesmo assuntos, só sabe falar das coisas do Banco, que coisa chata!”

Perplexa, fiquei olhando para ele, sem saber para onde iria aquela fala.

“Achei uma coisa aqui que tem a sua cara, porque você não se matricula?” – ele me perguntou meio que ordenando.

Curiosa fui ver a tal coisa que magicamente me transformaria em uma “não chata”. Era um curso de stylist! Gargalhei e disse que ele estava louco. Eu lá tinha tempo para essas coisas?

Peguei o computador no colo e comecei a ler o programa do curso, cujas aulas eram todas às segundas e quartas-feiras à noite e comecei a me interessar. No dia seguinte estava matriculada!

Delícia fazer um curso por hobby, sem o comprometimento de ter que usar o que se aprende na vida profissional. Delícia ter uma professora que não era advogada (acho professor advogado muito chato, super entendo meu marido!). Delícia estar numa classe cheia de não advogados (eu era a única chata!). Delícia falar de coisa que não é problema ou que não vai se tornar um problema.

Depois desse curso de stylist fiz mais dois outros cursos sobre história da moda, que foram igualmente legais. Isso tudo já faz uns três anos.

Então, no semestre passado fui fazer um módulo de especialização em Direitos Difusos e Coletivos, cheio de advogados... Que vontade de fazer outro curso de moda!!!

Fica minha dica: advogados(as), podemos ser muito mais legais quando temos um hobby, quando praticamos um esporte, quando nos interessamos por outras cosias que não nosso trabalho, namorado(a), marido/mulher, casa e filhos.