segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O DRAMA DA ESCOLHA

Sempre que tenho que fazer uma escolha me lembro de um amigo dizendo: “A vida é o drama da escolha.”

Até hoje não sei se essa frase era uma citação de algum filósofo, escritor ou pensador, ou se foi ele mesmo quem a criou. O que importa é que concordo cem por cento.

Não que eu seja dramática, ao contrário, odeio drama (gosto só no cinema!), mas como é difícil fazer certas escolhas, pesar prós e contras, ouvir sugestões contrárias ao que gostaríamos que nos dissessem.

Depois que me tornei mãe, as escolhas mais difíceis para mim são aquelas relacionadas ao meu filho. Ah, como gostaria de passar mais tempo ao seu lado, de ter presenciado seus primeiros passos, de ter embalado suas sonecas vespertinas, de ter acompanhado aquela febre chata abaixar...

Mas escolhi não para de trabalhar, escolhi dar para ele um futuro mais promissor, escolhi ser uma mãe com mais assunto e, a partir dessas escolhas, descobri que eu era filha da culpa.

Passei algum tempo carregando a culpa do mundo nas minhas costas. Culpa por deixar meu filho em casa com outra mulher (a babá!), culpa por não saber se estava sendo boa mãe o suficiente, culpa por não estar sendo tão boa quanto minha havia sido (ela foi dona de casa e se dedicou totalmente a mim e ao meu irmão, nessa ordem) e, pasmem, culpa por gostar de trabalhar fora de casa, acho que esse lance de home working não funciona para mim.

Como fazer uma escolha e não me sentir culpada por ela? Essa era a pergunta do milhão. Nada aliviava minha culpa, nem a terapia e nem conversar com outras mães na mesma situação.

E a culpa é oportunista, cria um círculo vicioso. E eu, de tanto girar em volta da culpa, me sentia cansada e desanimada.

Foi, há mais de quatro anos, quando passei a ter fortes e insuportáveis enxaquecas e procurei um neurologista, cuja especialidade é o tratamento de pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), aquela doença degenerativa que acomete o físico Stephen Hawking.

Minha primeira consulta levou horas, mais parecia uma sessão de terapia, então, o médico me disse: “Claudinha (é assim que ele me chama até hoje), a vida é muito linda e curta para tanta culpa. Imagina quanta coisa boa você tem para viver com seu filho, trabalhando ou não, só pelo fato de você poder controlar os movimentos dos seus membros.”

Estava ai a resposta da pergunta do milhão!!! Por que me preocupar tanto com as escolhas? Por que tanta cobrança? Só para a culpa me sabotar e não me deixar aproveitar os melhores momentos da vida enquanto posso “controlar os movimentos dos seus membros”!!!

Ah, a culpa não me abandonou por completo, às vezes ela volta para me visitar...

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